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25 de mar. de 2017

ELOMAR: O VERDADEIRO TROVADOR BRASILEIRO




Prosa crítica de: VINÍCIUS DE MORAES

"A mim me parece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro. No dia em que "o sertão virar mar", como na cantiga, minha impressão é que Elomar vai juntar seus bodes, de que tem uma grande criação em sua fazenda "Duas Passagens", entre as serras da Sussuarana e da Prata, em plena caatinga baiana, e os irá tangendo até encontrar novas terras áridas, onde sobrevivam apenas os bichos e as plantas que, como ele, não precisam de umidade para viver; e ali fincar novos marcos e ficar em paz entre suas amigas as cascavéis e as tarântulas, compondo ao violão suas lindas baladas e mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes além, sempre além, no infinito latifúndio. Pois assim é Elomar Figueira de Melo: um príncipe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou "causos" escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste.
Elomar nasceu em Vitória da Conquista, cidade que também deu vez a Glauber Rocha e Zu Campos, e depois de formar-se em arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, ocupa atualmente o cargo de Diretor de Urbanismo em sua cidade. Mas do que gosta realmente é de sua caatingueira, uma das mais ásperas do sertão brasileiro, onde cria bodes e carneiros. Já me foi contado que um de seus reprodutores, o famoso bode "Francisco Orellana", quando a umidade do ar apresenta seus índices mais baixos - que usualmente é 10 graus - senta-se em posição estratégica sobre as patas traseiras e não se peja de urinar na própria boca, de modo a aproveitar, num instintivo e engenhoso recurso ecológico, a própria água do corpo para dessedentar-se.
E tem a onça. Vez por outra, a madrugada restitui a carcaça sangrenta de um bode ou um carneiro, e todas as preocupações cessam, a não ser chumbar a bicha. E a conversa entre os fazendeiros fica sendo apenas essa: onça, suas manias, suas manhas, seus pontos fracos.
Todo mundo se oncifica. Elomar sai à noite para tocaiá-la, e quando a avista só atira nela de frente. - Um bicho que vem de tão longe para matar meus bodes, esse eu respeito! - diz ele em seu sotaque matuto (apesar da boa cultura geral que tem) e que faz questão de não perder por nada, enojado que está da nossa suposta civilização.
Quando lhe manifestei desejo de passar uns dias em sua companhia e de sua família (Elomar é casado e tem um par de filhos, sendo que a menina tem o lindo nome de Rosa Duprado) para descobrir, em sua companhia e ao som do excelente violão que toca, essas estrelas reconditas que já não se consegue mais ver nos nossos céus poluídos, Elomar me disse: - Pode vir quando quiser. Deixe só eu ajeitar a casa, que não está boa, e afastar um pouco dali minhas cascavéis e minhas tarântulas...
É... Quem sabe não vai ser lá, no barato das galáxias e da música de Elomar, que eu vou acabar amarrando um bode definitivo e ficar curtindo uma de pastor de estrelas..."

Abril de 1973


18 de jun. de 2015

CURIOSIDADES SOBRE O "PÉ GRANDE"

Trecho do livro: O Caminho para a Saúde de Seth / Jane Roberts
Gentilmente cedido pela Lu Lima, organizadora de um grupo de estudo, que faço parte, chamado Jardim Secreto.
Mais livros ou informações: http://espacocriando.blogspot.com.br/

Pé Grande e o Abominável Homem das Neves

" Há realmente dois tipos diferentes de mamíferos eretos, muito parecidos com sua espécie, mas muito maior, e com sentidos infinitamente mais apurados. Eles são realmente criaturas incrivelmente rápidas e apenas através do olfato eles ficam cientes da presença do homem quando qualquer membro de sua espécie está nos arredores imediatos - ficando, digamos, pelo menos a várias milhas de distância. A matéria vegetal é a dieta principal deles, embora muitas vezes implementada por insetos, que são considerados como uma iguaria. Eles, em relação a isso, desenvolveram armadilhas muito engenhosas para insetos, de maneira que centenas, ou mais, podem ser capturados, pois muitos são necessários já que insetos são tão pequenos. Estas armadilhas são muitas vezes construídas em árvores, nas cascas, de tal forma que a goma da própria árvore é usada para capturar os insetos. As armadilhas parecem ser parte da própria árvore, de modo a protegê-los.
Estas criaturas realmente têm memória, mas as lembranças deles operam muito rapidamente - um tipo de dedução quase instantânea, que vem como um sentido de informação interpretada. Ou seja, é recebida e interpretada quase de uma vez, ou simultaneamente.
A procriação não ocorre até que os indivíduos estejam bem além da idade que vocês considerariam normal para reprodução. No entanto, o procedimento é o mesmo. Com alguma variação territorial, tais criaturas residem em muitas áreas mundiais em seu planeta, embora a população geral deles seja muito pequena - no todo, algo em torno de, talvez, vários milhares.
Eles raramente se reúnem em grandes grupos, mas têm uma família e uma organização como que tribal, com no máximo doze adultos em qualquer área determinada. Quando filhos são adicionados, os grupos se quebram novamente, pois eles sabem bem que em grandes números eles seriam muito fáceis de serem descobertos.
Todos eles usam ferramentas de um tipo ou outro, e vivem de fato em concordância com os animais. Não há competição entre eles e os animais, por exemplo, e basicamente não são agressivos, embora possam ser extremamente perigosos se forem encurralados, ou se seus mais jovens forem atacados. Eles crescem bastante lentamente no inverno, em climas muito frios, e a temperatura deles cai, como é característico de animais que hibernam, exceto que a temperatura deles é mais sensível às variações diárias, então em alguns dias de inverno eles podem procurar muio bem por comida, embora, por outro lado, possam hibernar até mesmo por semanas a fio.
Eles tem uma profunda compreensão da natureza e dos fenômenos naturais. A linguagem não é desenvolvida a qualquer grau, pois o equipamento sensório deles é tão puro e rápido que quase torna-se uma linguagem própria, e não precisa de qualquer elaboração.
Estes sentidos possuem as próprias variações, de maneira que sem nenhuma palavra como "agora" ou "daí", as criaturas são capazes de saber bastante acuradamente quantas criaturas vivas estão nas vizinhanças, quanto tempo estivera ali - e a experiência deles com o tempo é uma que segue as estações de tal modo que eles formaram uma imagem sem palavras, uma figura fielmente acurada do mundo, incluindo uma direção navegacional. "


7 de abr. de 2012

SHRI ANANDA MOYI MA

Nirmala Devi Sundari,uma manifestação de Maha Kali Ma, nasceu em 30 de abril de 1896 em Kheora,uma vila da India onde hoje se situa Bangladesh. Mais tarde, denominada Shri Ananda Moyi Ma(impregnada de alegria) por um devoto,acabou por ser considerada uma das maiores personalidades religiosas que a India já conheceu no século XX, sendo considerada avatara(uma encarnação de divindade).
Sua família pertencia a casta dos Brahmanes, a mais importante na hierarquia social indiana, mas não tinha grandes posses materiais. Desde muito jovem demonstrou grande beleza física e espiritual e ainda não havia completado 13 anos quando se casou com Shri Ramani Mohan Chakravarti, que se tornaria conhecido como Bholanâth. Este nunca manifestou qualquer desejo sexual para com Shri Ananda Moyi Ma, tendo se tornado seu primeiro discípulo.
Ela nunca teve um guru mas seu marido-discípulo notou que, ao se sentar, em uma asana do Yoga, ela adentrava as profundezas do seu interior e, nestas ocasiões,repetia o mantra Hara, Hari, Hari. Durante seis anos ela passou por várias Sadhanas(práticas espirituais) e, em 3 de agosto de 1922, atingiu o Samadhi, com períodos de êxtase de até 12 horas seguidas, durante os quais seu corpo se tornava frio como gelo. Depois de deixar o Samadhi, tudo à sua volta parecia estar inundado com alegria e ela, a partir de então, praticamente não precisou mais se alimentar e nem dormir, e não sentia mais dor.
Dedicando-se ao ascetismo, ela chegava a passar meses ingerindo diariamente apenas quatro colheres de água e nove grãos de arroz, oque em nada afetava sua saúde, pois ela aprendera a aproveitar ao máximo a essência vital da água e do ar. A partir de então, uma luminosidade interior passou a se irradiar de seu ser, e numerosas pessoas passaram a vê-la em um halo de luz projetado a uma grande distância circundando seu corpo.
Com certeza hoje, Shri Ananda Moyi Ma faz parte da Grande Fraternidade Branca e suas palavras canalizadas por vários humanos, são de máxima importância neste momento de transição planetária...

"...enquanto o homem não despertar para sua identidade com o Uno, ele continuará preso à roda de nascimentos e de mortes..."
"...todo sofrimento é devido ao fato de que muitos são vistos onde há apenas um..."
"...encontro um vasto jardim espalhado por todo o Universo. Todas as plantas, todos os seres humanos, cada ser único com sua beleza única; todos os corpos iluminados estão neste jardim de várias maneiras..."
"...o homem não é senão o Ser Eterno; mas, erroneamente, ele se vê como uma individualidade separada, centrada em seu corpo, e identificada por um determinado nome.."
"...é recomendado lembrar-se de Deus em todas as instâncias e de acolher tudo oque nos acontece como vindo de Deus. É necessário manter constantemente em vós o Seu pensamento e sentir a Sua presença..."
"...vocês lamentam e choram quando uma pessoa vai para uma outra sala da casa? A morte está inevitavelmente conectada à vida. Na esfera da imortalidade, que significado tem a perda e a morte? Ninguém está perdido para mim..."
"...todo mundo é um guru. Cada pessoa, através da qual alguém aprendeu algo, não importa o quão insignificante seja, é um guru. Porém,o verdadeiro guru é aquele cujos ensinamentos guiam você em direção à compreensão do Eu. Implore continuamente a Deus para que Ele possa Se revelar a você como seu mestre espiritual, e a menos que você descubra seu Guru Interior, nada pode ser alcançado..."
"...a única realidade é a realidade divina. A nossa percepção de nós mesmos, como separados de Deus, é apenas um sonho, uma imposição da ignorância. Só as pessoas que se libertam dos seu apegos e desejos mesquinhos e a motivações egoístas, voltando-se sinceramente para o divino, não no céu, mas em si mesmas, podem viver cada momento em perfeita alegria..."

4 de abr. de 2012

VENTOS DE ÓRION


texto extraído do livro de rodrigo romo: "Ventos de Órion/Confederação Intergaláctica III"
lay-out da postagem: iamfotonico.blogspot.com

5 de fev. de 2012

CHICO XAVIER


CHICO XAVIER
em sintonia com a nova era

blog: absolutamente impressionante este relato!!!God Bless You Chico Xavier,você foi importante como humano e tenho certeza que agora ocupa um lugar junto aos mestres ascensionados e comunidade espiritual.Leiam...


O jornal Folha Espírita de maio de 2011 traz uma revelação feita em 1986, pelo médium Francisco Cândido Xavier sobre o futuro reservado ao planeta Terra e a todos os seus habitantes nos próximos anos. A revelação foi feita a Geraldo Lemos Neto, fundador da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo (MG) e da Vinha de Luz Editora, mas somente agora ele resolveu falar.

Trechos:

“Tive a felicidade de conviver na intimidade com Chico Xavier, dialogando com ele vezes sem conta, madrugada a dentro, sobre variados assuntos de nossos interesses comuns, notadamente sobre esclarecimentos palpitantes acerca da Doutrina dos Espíritos e do Evangelho de Jesus. Um desses temas foi em relação ao Apocalipse, do Novo Testamento. Desde então, em nossos colóquios, Chico Xavier tinha sempre uma ou outra palavra esclarecedora sobre o assunto, pontuando esse ou aquele versículo e fazendo-me compreender, aos poucos, o momento de transição pelo qual passa o nosso orbe planetário, a caminho da regeneração.
...perguntei ao Chico o que ele queria exatamente dizer a respeito do sacrifício do Brasil. Estaria ele a prever o futuro de nossa nação e do mundo? Chico pensou um pouco, como se estivesse vislumbrando cenas distantes e, depois de algum tempo, retornou para dizer-nos: 'Você se lembra, Geraldinho, do livro de Emmanuel A Caminho da Luz? Nas páginas finais da narrativa, no cap. XXIV, cujo título é O Espiritismo e as Grandes Transições, nele Emmanuel afirmara que os espíritos abnegados e esclarecidos falavam de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do Sistema Solar, da qual é Jesus um dos membros divinos, e que a sociedade celeste se reuniria pela terceira vez na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de redimir a nossa humanidade, para, enfim, decidir novamente sobre os destinos do nosso mundo.
Pois então, Emmanuel escreveu isso nos idos de 1938 e estou informado que essa reunião de fato já ocorreu. Ela se deu quando o homem finalmente ingressou na comunidade planetária, deixando o solo do mundo terrestre para pisar pela primeira vez o solo lunar. O homem, por seu próprio esforço, conquistou o direito e a possibilidade de viajar até a Lua, fato que se materializou em 20 de julho de 1969. Naquela ocasião, o Governador Espiritual da Terra, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, ouvindo o apelo de outros seres angelicais de nosso Sistema Solar, convocara uma reunião destinada a deliberar sobre o futuro de nosso planeta. O que posso lhe dizer, Geraldinho, é que depois de muitos diálogos e debates entre eles foram dadas diversas sugestões e, ao final do celeste conclave, a bondade de Jesus decidiu conceder uma última chance à comunidade terráquea, uma última moratória para a atual civilização no planeta Terra. Todas as injunções cármicas previstas para acontecerem ao final do século XX foram então suspensas, pela Misericórdia dos Céus, para que o nosso mundo tivesse uma última chance de progresso moral.
O curioso é que nós vamos reconhecer nos Evangelhos e no Apocalipse exatamente este período atual, em que estamos vivendo, como a undécima hora ou a hora derradeira, ou mesmo a chamada última hora.'
Perguntei-lhe sobre qual fora então as deliberações de Jesus, e ele me respondeu: 'Nosso Senhor deliberou conceder uma moratória de 50 anos à sociedade terrena, a iniciar-se em 20 de julho de 1969, e, portanto, a findar-se em julho de 2019. Ordenou Jesus, então, que seus emissários celestes se empenhassem mais diretamente na manutenção da paz entre os povos e as nações terrestres, com a finalidade de colaborar para que nós ingressássemos mais rapidamente na comunidade planetária do Sistema Solar, como um mundo mais regenerado, ao final desse período. Algumas potências angélicas de outros orbes de nosso Sistema Solar recearam a dilação do prazo extra, e foi então que Jesus, em sua sabedoria, resolveu estabelecer uma condição para os homens e as nações da vanguarda terrestre. Segundo a imposição do Cristo, as nações mais desenvolvidas e responsáveis da Terra deveriam aprender a se suportarem umas às outras, respeitando as diferenças entre si, abstendo-se de se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear. A face da Terra deveria evitar a todo custo a chamada III Guerra Mundial. Segundo a deliberação do Cristo, se e somente se as nações terrenas, durante este período de 50 anos, aprendessem a arte do bom convívio e da
fraternidade, evitando uma guerra de destruição nuclear, o mundo terrestre estaria enfim admitido na comunidade planetária do Sistema Solar como um mundo em regeneração. Nenhum de nós pode prever, Geraldinho, os avanços que se darão a partir dessa data de julho de 2019, se apenas soubermos defender a paz entre nossas nações mais desenvolvidas e cultas!'
Perguntei, então, ao Chico a que avanços ele se referia e ele me respondeu: 'Nós alcançaremos a solução para todos os problemas de ordem social, como a solução para a pobreza e a fome, que estarão extintas; teremos a descoberta da cura de todas as doenças do corpo físico pela manipulação genética nos avanços da Medicina; o homem terrestre terá amplo e total acesso à informação e à cultura, que se fará mais generalizada; também os nossos irmãos de outros planetas mais evoluídos terão a permissão expressa de Jesus para se nos apresentarem abertamente, colaborando conosco e oferecendo-nos tecnologias novas, até então inimagináveis ao nosso atual estágio de desenvolvimento científico; haveremos de fabricar aparelhos que nos facilitarão o contato com as esferas desencarnadas, possibilitando a nossa saudosa conversa com os entes queridos que já partiram para o além-túmulo; enfim estaríamos diante de um mundo novo, uma nova Terra, uma gloriosa fase de espiritualização e beleza para os destinos de nosso planeta.'
Foi então que, fazendo as vezes de advogado do diabo, perguntei a ele: Chico, até agora você tem me falado apenas da melhor hipótese, que é esta em que a humanidade terrestre permaneceria em paz até o fim daquele período de 50 anos. Mas, e se acontecer o caso das nações terrestres se lançarem a uma guerra nuclear? 'Ah! Geraldinho, caso a humanidade encarnada decida seguir o infeliz caminho da III Guerra mundial, uma guerra nuclear de conseqüências imprevisíveis e desastrosas, aí então a própria mãe Terra, sob os auspícios da Vida Maior, reagirá com violência imprevista pelos nossos homens de ciência. O homem começaria a III Guerra, mas quem iria terminá-la seriam as forças telúricas da natureza, da própria Terra cansada dos desmandos humanos, e seríamos defrontados então com terremotos gigantescos; maremotos e ondas (tsunamis) conseqüentes; veríamos a explosão de vulcões há muito extintos; enfrentaríamos degelos arrasadores que avassalariam os pólos do globo com trágicos resultados para as zonas costeiras, devido à elevação dos mares; e, neste caso, as cinzas vulcânicas associadas às irradiações nucleares nefastas acabariam por tornar totalmente inabitável todo o Hemisfério Norte de nosso globo terrestre.'
Mas, o que aconteceria especificamente com o Brasil?
Segundo o médium, 'em todas as duas situações o Brasil cumprirá o seu papel no grande processo de espiritualização planetária. Na melhor das hipóteses, nossa nação crescerá em importância sociocultural, política e econômica perante a comunidade das nações. Não só seremos o celeiro alimentício e de matérias-primas para o mundo, como também a grande fonte energética, com o descobrimento de enormes reservas petrolíferas que farão da Petrobrás uma das maiores empresas do mundo. O Brasil crescerá a passos largos e ocupará importante papel no cenário global, isso terá como conseqüência a elevação da cultura brasileira ao cenário internacional e, a reboque, os livros do Espiritismo Cristão, que aqui tiveram solo fértil no seu desenvolvimento, atingirão o interesse das outras nações também. Agora, caso ocorra a pior hipótese, com o Hemisfério Norte do planeta tornando-se inabitável, grandes fluxos migratórios se formariam então para o Hemisfério Sul, onde se situa o Brasil, que então seria chamado mais diretamente a desempenhar o seu papel de Pátria do Evangelho, exemplificando o amor e a renúncia, o perdão e a compreensão espiritual perante os povos migrantes.
A Nova Era da Terra, neste caso, demoraria mais tempo para chegar com todo seu esplendor de conquistas científicas e morais, porque seria necessário mais um longo período de reconstrução de nossas nações e sociedades, forçadas a se reorganizarem em seus fundamentos mais básicos.'
Segundo Chico me revelou, o que restasse da ONU acabaria por decidir a invasão das nações do Hemisfério Sul, incluindo-se aí obviamente o Brasil e o restante da América do Sul, a Austrália e o sul da África, a fim de que nossas nações fossem ocupadas militarmente e divididas entre os sobreviventes do holocausto no Hemisfério Norte. Aí é que nós, brasileiros, iríamos ser chamados a exemplificar a verdadeira fraternidade cristã, entendendo que nossos irmãos do Norte, embora invasores a "mano militare", não deixariam de estar sobrecarregados e aflitos com as conseqüências nefastas da guerra e das hecatombes telúricas, e, portanto, ainda assim, devendo ser considerados nossos irmãos do caminho, necessitados de apoio e arrimo, compreensão e amor.
Neste ponto da conversa, Chico fez uma pausa na narrativa e completou: 'Nosso Brasil como o conhecemos hoje será então desfigurado e dividido em quatro nações distintas. Somente uma quarta parte de nosso território permanecerá conosco e aos brasileiros restarão apenas os Estados do Sudeste, somados a Goiás e ao Distrito Federal. Os norte-americanos, canadenses e mexicanos ocuparão os Estados da Região Norte do País, em sintonia com a Colômbia e a Venezuela. Os europeus virão ocupar os Estados da Região Sul do Brasil unindo-os ao Uruguai, à Argentina e ao Chile. Os asiáticos, notadamente chineses, japoneses e coreanos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em conexão com o Paraguai, a Bolívia e o Peru. E, por fim, os Estados do Nordeste brasileiro serão ocupados pelos russos e povos eslavos. Nós não podemos nos esquecer de que todo esse intrincado processo tem a sua ascendência espiritual e somos forçados a reconhecer que temos muito que aprender com os povos invasores. Vejamos, por exemplo: os norte-americanos podem nos ensinar o respeito às leis, o amor ao direito, à ciência e ao trabalho. Os europeus, de uma forma geral, poderão nos trazer o amor à filosofia, à música erudita, à educação, à história e à cultura. Os asiáticos poderão incorporar à nossa gente suas mais altas noções de respeito ao dever, à disciplina, à honra, aos anciãos e às tradições milenares. E, então, por fim, nós brasileiros, ofertaremos a eles, nossos irmãos na carne, os mais altos valores de espiritualidade que, mercê de Deus, entesouramos no coração fraterno e amigo de nossa gente simples e humilde, essa gente boa que reencarnou na grande nação brasileira para dar cumprimento aos desígnios de Deus e demonstrar a todos os povos do planeta a fé na Vida Superior, testemunhando a continuidade da vida além-túmulo e o exercício sereno e nobre da mediunidade com Jesus.'
Segundo Chico Xavier, o Brasil não terá privilégios e sofrerá também os efeitos de terremotos e tsunamis, notadamente nas zonas costeiras. Acontece que, de acordo com o médium, o impacto por aqui será bem menor se comparado com o que sobrevirá no Hemisfério Norte do planeta.
Outra decisão dos benfeitores espirituais da Vida Maior foi a que determinou que, após o alvorecer do ano 2000 da Era Cristã, os espíritos empedernidos no mal e na ignorância não mais receberiam a permissão para reencarnar na face da Terra. Reencarnar aqui, a partir dessa data, equivaleria a um valioso prêmio justo, destinado apenas aos espíritos mais fortes e preparados, que souberam amealhar, no transcurso de múltiplas reencarnações, conquistas espirituais relevantes como a mansidão, a brandura, o amor à paz e à concórdia fraternal entre povos e nações. Insere-se dentro dessa programação de ordem superior a própria reencarnação do mentor espiritual de Chico Xavier, o espírito Emmanuel, que, de fato, veio a renascer, segundo Chico informou a variados amigos mais próximos, exatamente no ano 2000. Todos os demais espíritos, recalcitrantes no mal, seriam então, a partir de 2000, encaminhados forçosamente à reencarnação em mundos mais atrasados, de expiações e de provas aspérrimas, ou mesmo em mundos primitivos, vivenciando ainda o estágio do homem das cavernas, para poderem purgar os seus desmandos e a sua insubmissão aos desígnios superiores. Chico Xavier tinha conhecimento desses mundos para onde os espíritos renitentes estariam sendo degredados. Segundo ele, o maior desses planetas se chamaria Kírom ou Quírom.
O próprio Emmanuel, através de Chico Xavier, respondendo a uma entrevista já publicada em livro nos diz que as profecias são reveladas aos homens para não serem cumpridas. São na realidade um grande aviso espiritual para que nos melhoremos e afastemos de nós a hipótese do pior caminho.”




19 de jan. de 2012

HERÁCLITO DE ÉFESO (535-475 AC)

A vida do mestre indiano Rajneesh teve seus altos e baixos. Todo seu percurso na América gerou muita polêmica e contradições, porém estes dias li uma reflexão muito boa deste guru:
"Se o ocidente tivesse seguido o filósofo grego Heráclito, em vez de Platão, a história das idéias teria sido muito diferente e o conceito de Maya seria agora tão central para o pensamento ocidental como é para o oriental."
E para entender o conceito hindu de Maya, devemos saber que o Infinito Consciente, na forma de Brama, é o grande Criador e sonhador. Ele sonha o sonho de nossa existência e realidade. Tratando-se de um sonho do Criador, então tudo deve estar conectado...a tudo chamamos "elementos sonhantes", incluindo nós seres humanos. Na verdade o Todo é uma coisa só em eterna flutuação e todas as construções dos cinco sentidos são apenas interpretações relativas da realidade! Em ensaios anteriores, filosofamos que a realidade pode ser feita de telas instantâneas, filmes que acontecem a cada segundo e vão mudando. Vão fluindo como um rio...
Heráclito é anterior a Sócrates e Platão. E me atrevo a comentá-lo nesta postagem.
Para ele cada construção existente no universo está sempre  num constante estado de fluxo, sempre a seguir um processo de transmutação e novidade.
Dialético e dualista.
Ele percebeu que tudo tem uma contraparte e assim a vida é uma luta incessante entre forças opostas que buscam o repouso...não muito diferente de vários aspectos da física e percepção de Isaac Newton.
Mas Heráclito não era conformista: no repouso estava a condição de uma nova possibilidade de fluência, e assim tudo é um eterno contínuo.
Para isto se processar deve haver algum tipo de ordem, algo que organiza a eterna instabilidade?
Nada disso! Para ele,apenas deveríamos nos posicionar corretamente:Nada Somos,Estamos Sendo!
Sua famosa analogia é válida:nunca penetramos em um mesmo rio duas vezes (bem como o rio também não recebe duas vezes a mesma pessoa). 
Madame Blavatsky: "Do ponto subjetivo, tudo é um eterno Ser. E do ponto objetivo, tudo é um eterno Vir-a-Ser."
Somos a unidade dentro da dualidade. E nesta situação, penso que Heráclito (bem como Parmênides) visualizou a condição dos humanos. Faltou a ele o entendimento que podemos afetar a relação do fluxo contínuo, na verdade comandá-lo!
Heráclito e hindus estão certos ao intuir a conexão entre as coisas. Este pensamento é tão poderoso que, com simplicidade, pode explicar muita coisa...inclusive que o Big Bang nunca existiu! Não há um começo de nada e para nada. Com exceção do mistério do Infinito,da Fonte...de Brama.

17 de dez. de 2011

UMA EXPERIÊNCIA EM CONSCIÊNCIA CÓSMICA


PARAMAHANSA YOGANANDA "Raras vezes Sri Yukteswar expressava-se por enigmas;fiquei confuso.Ele golpeou meu peito levemente,acima do coração.
Meu corpo imobilizou-se como se tivesse raízes;o ar saiu de meus pulmões como se um imã enorme o extraísse.Instaneamente,a alma e a mente romperam com sua escravidão física e jorraram de cada um dos meus poros como luz perfurante e fluida.
A carne parecia morta e,contudo,em minha intensa lucidez,percebi que nunca antes estivera tão plenamente vivo.Meu senso de identidade já não estava mais limitado a um corpo e sim,englobando átomos à minha volta.Pessoas em ruas distantes pareciam mover-se suavemente em minha própria e remota periferia.Raízes de plantas e árvores apareciam através de uma tênue transparência do solo;eu distinguia a circulação da seiva.
A vizinhança inteira surgia desnuda diante de mim.Minha visão frontal comum havia-se transformado em vasta visão esférica que percebia tudo simultaneamente.Pela parte de trás da cabeça,vi homens caminhando na distante Rai Ghat Lane e também notei uma vaca branca aproximando-se preguiçosamente.Quando chegou ao portão aberto do ashram,observei como se o fizesse com meus dois olhos físicos.Depois que passou para trás do muro de tijolos do pátio,continuei a vê-la,claramente.
Todos os objetos em minha visão panorâmica tremiam e vibravam como um filme acelerado.Meu corpo e o do meu Mestre,o pátio com colunas,a mobília,o chão,as árvores e a luz do sol,tornavam-se,de vez em quando,violentamente agitados até que tudo se fundia num mar luminescente,assim como os cristais de açúcar,mergulhados num copo de água,diluem-se depois de serem sacudidos.A luz unificadora alternava-se com materializações de forma e as metamorfoses revelavam a lei de causa e efeito na criação.
Uma alegria oceânica rebentava nas praias serenamente intermináveis em minha alma.O espírito de Deus,percebi,é bem-aventurança inesgotável;seu corpo compreende incontáveis membranas de luz.Um sentimento de glória crescente dentro de mim começou a envolver cidades,continentes,a Terra,o sistema solar,constelações,as tênues nebulosas e os universos flutuantes.O cosmos inteiro,suavemente luminoso,semelhante a uma cidade vista de alguma distância à noite,cintilava dentro da infinitude de meu ser.
Para além de meus contornos definidos,a luz ofuscante empalidecia ligeiramente nos confins mais longínquos;ali eu via uma radiação branda,que nunca diminuía.Era indescritivelmente sutil;as figuras dos planetas constituíam-se de uma luz mais densa.
A divina dispersão de raios jorrava de uma fonte perpétua, resplandecendo em galáxias,transfiguradas com auras inefáveis.Vi,repetidas vezes,os fachos criadores condensarem-se em constelações e depois dissolverem-se em lençóis de transparentes chamas.
Por reversão rítmica,sextilhões de mundos transformavam-se em brilho diáfano e ,em seguida,o fogo se convertia em firmamento.
Conheci o centro do empírico como um ponto de percepção intuitiva em meu coração.Esplendor irradiante partia de meu núcleo para cada parte da estrutura universal.O beatífico amrita,néctar da imortalidade,pulsava através de mim,com fluidez de mercúrio.Ouvi ressoar a voz criadora de Deus,OM,a vibração do motor cósmico.
De súbito, o fôlego voltou aos pulmões.Com decepção quase insuportável,constatei que havia perdido minha infinita vastidão.
Estava novamente limitado à jaula humilhante de meu corpo,tão desconfortável para o espírito."




6 de dez. de 2011

CHERNOBYL


ALEXEI ANANENKO

VALERIY BEZPALOV

BORIS BARANOV

os heróis de chernobyl



Artigo original de La Pizarra de Yuri
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Jorge Jarufe
do site: ceticismoaberto.com                                           


Podem-se salvar milhões de pessoas sacrificando a sua própria, sem que ninguém se lembre.
É uma das histórias mais conhecidas do nosso tempo: no dia 26 de abril de 1986, o reator número 4 da central nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança mal executado, depois de 24 horas de manipulações insensatas e mais de duzentas violações do Regulamento de Segurança Nuclear da União Soviética. Estas ações conduziram ao envenenamento por xenônio do núcleo, levando-o a uma acumulação neutrônica seguida por um aumento de energia que causou duas grandes explosões às 01h24 da madrugada.
Sobre Chernobyl foram contadas muitas mentiras. E foram contadas por muitas pessoas, desde as autoridades soviéticas da época até a indústria nuclear ocidental, passando pelos propagandistas de todos os tipos e a coleção de conspiracionistas habituais. Há uma delas que me molesta de modo particular, e é a de que os liquidadores – quase um milhão de pessoas que se encarregaram do problema – eram uma horda de pobres ignorantes levados lá sem saberem a classe de monstro que tinham na frente. E molesta-me porque constitui um desprezo ao seu heroísmo.
E também porque é radicalmente falso. Uma turba ignorante não serve para nada em um acidente tecnológico tão complexo. As equipes de liquidadores estavam compostas, principalmente, por bombeiros, cientistas e especialistas da indústria nuclear; tropas terrestres e aéreas prontas para a guerra atômica e engenheiros de minas, geólogos e mineradores de urânio, pela sua ampla experiência na manipulação dessas substâncias. É néscio supor que estas pessoas ignoravam os perigos de um reator nuclear destripado cujos conteúdos você vê brilhar na frente dos seus olhos num enorme buraco.

Os liquidadores sabiam o que tinham perante si, e apesar disso realizaram o seu trabalho com enorme valor e responsabilidade. Centenas, milhares deles, de maneira heróica: os bombeiros que se alternavam entre vômitos e diarréias radiológicas para subir ao mítico telhado de Chernobyl, onde havia mais de 40.000 Roentgens/hora, para apagar dali os incêndios (a radiação ambiental normal é de uns 20 microrroentgens/hora); os pilotos que detinham os seus helicópteros por cima do reator aberto e refulgente para esvaziar sobre ele areia e argila com chumbo e boro; os técnicos e soldados que corriam a toda velocidade pelas galerias devastadas comunicando aos gritos as leituras dos contadores Geiger e os cronômetros para romper paredes, restabelecer conexões e bloquear canalizações em períodos de quarenta ou sessenta segundos junto às turbinas (20.000 roentgens/hora); os mineradores e engenheiros que trabalhavam em túneis subterrâneos, inundando-se constantemente com água de sinistro brilho azul, para instalar os canos de um extrator de calor que roubasse algo de temperatura ao núcleo fundido e radiante, a escassos metros de distância; os milhares de trabalhadores e arquitetos que levantavam o sarcófago ao seu redor, retiravam do entorno os escombros furiosamente radioativos e evacuavam a população.
Salvo os soldados submetidos a disciplina militar, ninguém era proibido de ir embora se não quisesse continuar ali; mas quase ninguém o fez. Ao contrário, muitos chegaram como voluntários de toda a URSS, especialmente muitos estudantes e pós-graduados das faculdades de física e engenharia nuclear. Esta foi a classe de homens e não poucas mulheres que alguns acreditam ou querem acreditar que foram uma ignorante e patética turba. Esses foram os liquidadores.
Chamavam-lhes, e chamavam-se a si próprios, os bio-robôs, porque continuavam funcionando quando o aço cedia e as máquinas paravam. Não o fizeram pelo dinheiro, nem pela fama, que foi praticamente inexistente. O fizeram por responsabilidade, pela humanidade e porque alguém tinha que fazer o maldito trabalho. Hoje quero falar de três deles, que fizeram algo ainda mais extraordinário num lugar onde o heroísmo era coisa corrente. Por isso, só ocorre-me denominá-los: os três super-heróis de Chernobyl.
O monstro da água que brilha azul
O único que há de certo nessas suposições sobre a ignorância dos liquidadores é que, nas primeiras horas, não sabiam que o reator havia explodido. Mas não sabiam porque ninguém sabia. A mesma lógica equivocada dos responsáveis das instalações que provocou o acidente os fez crer que havia explodido o trocador de calor, e não o reator, e assim foi informado tanto ao pessoal que acudia como aos seus superiores. Há uma história um tanto sinistra sobre os aviões que levavam destacados membros da Academia de Ciências da URSS ao lugar. Eles deram a volta no ar por ordens da KGB quando esta descobriu, através da sua equipe de proteção da central, que o reator explodira (além das suas atribuições de espionagem, pelas quais é tão conhecida, a “KGB uniformizada", ela desempenhava na União Soviética um papel muito semelhante ao da nossa Guarda Civil, excetuando o tráfico de veículos, mas incluindo a segurança das instalações radiológicas).
Devido a isto, em um primeiro momento jogaram sobre o buraco milhões de litros de água e nitrogênio líquido com o propósito de manter frio e proteger o reator, que acreditavam a salvo e selado além das chamas e a densa fumaça preta. Isso contribuiu para piorar as conseqüências do sinistro, pois a água vaporizava-se instantaneamente ao tocar o núcleo fundido a mais de 2.000ºC e saía velozmente à estratosfera em grandes nuvens de vapor, que o vento arrastava em todas as direções.
De qualquer jeito havia pouco o que fazer: era preciso apagar os grandes incêndios. Quando o fogo foi finalmente extinto, a contaminação não só estava no ar, mas também na água acumulada nas piscinas de segurança sob o reator. As piscinas de segurança, conhecidas como piscinas de bolhas, achavam-se em dois níveis inferiores e sua função era conter a água no caso de ser preciso esfriar emergencialmente o reator. Elas também serviam para condensar o vapor e reduzir a pressão no caso em que estourasse algum cano do circuito primário (daí o seu nome), junto a um terceiro nível que atuava como condução, imediatamente abaixo do reator. Assim, em caso de ruptura de alguma canalização, o vapor circularia por esse nível de condução, através de um manto de água, o que reduziria sua periculosidade.
Agora, depois da aniquilação, essas piscinas inferiores estavam cheias e trasbordando de água procedente dos canos arrebentados do circuito primário e da água utilizada pelos bombeiros para apagar o incêndio e pela frustrada tentativa de manter frio o reator. E sobre elas encontrava-se o reator aberto, fundindo-se lentamente em forma de lava de cúrio a 1.660 ºC. Em qualquer momento podiam começar a cair grandes gotas desta lava poderosamente radioativa, ou até o conjunto completo, provocando assim uma ou várias explosões de vapor que projetariam à atmosfera centenas de toneladas de cúrio. Isso teria multiplicado em grande escala a contaminação provocada pelo acidente, destruindo o lugar e afetando gravemente toda a Europa. Além disso, a mistura de água e cúrio radioativos escaparia e se infiltraria no subsolo, contaminando as águas subterrâneas e pondo em grave risco o abastecimento da cidade de Kiev, com dois milhões e meio de habitantes, numa espécie de síndrome da China.
Foi tomada a decisão de esvaziar as piscinas de maneira controlada. Em condições normais, isto seria uma tarefa fácil: bastava abrir as eclusas mediante uma simples ordem ao computador SKALA que administrava a central, e a água fluiria com segurança a um reservatório exterior. No entanto, com os sistemas de controle destruídos, a única maneira de fazê-lo agora era atuando manualmente as válvulas. O problema é que as válvulas estavam sob a água, dentro da piscina, perto do fundo cheio de escombros altamente radioativos que a faziam brilhar suavemente com uma cor azul pela radiação de Cherenkov, logo abaixo do reator que se fundia, emitindo um sinistro brilho vermelho.
E foi assim, como as máquinas já não funcionavam, que era um trabalho para os bio-robôs. Alguém teria que caminhar, um passo após outro, até o reator exposto e ardente, ao longo de um cinzento campo de destruição onde a radioatividade era tão intensa que provocava um sabor metálico na boca, confusão na mente e uma sensação de agulhadas na pele. Eles viam como as suas mãos se bronzeavam em segundos, como depois de semanas sob o sol. E logo teriam que submergir na água oleaginosa e de suave brilho azul com o instável monstro radioativo por cima das suas testas, para abrir as válvulas a mão. Uma operação difícil e perigosa até em circunstâncias normais.

Essa era uma viagem só de ida.
Ao que parece, a decisão de quem o faria tomou-se de maneira muito simples, com aquela velha frase que, ao longo da história da humanidade, sempre foi suficiente para os heróis:
- Eu irei.
Os três homens que foram
Os dois primeiros a oferecerem-se como voluntários foram Alexei Ananenko e Valeriy Bezpalov. Alexei Ananenko era um prestigiado tecnólogo da indústria nuclear soviética, que participara extensivamente no desenvolvimento e construção do complexo eletronuclear de Chernobyl. Ele cooperou no desenho das eclusas e sabia exatamente onde estavam as válvulas. Era casado e tinha um filho.
Valeriy Bezpalov era um dos engenheiros que trabalhavam na central, ocupando um posto de responsabilidade no departamento de exploração. Também era casado, e tinha uma menina e dois meninos de poucos anos.
Os dois eram engenheiros nucleares. Os dois compreendiam além de qualquer dúvida que estavam se dispondo a caminhar para a morte.
Enquanto vestiam suas roupas de mergulho, sentados num banco, observaram que precisariam de um ajudante para segurar a lâmpada subaquática desde a borda da piscina enquanto eles fossem trabalhar nas profundidades. E olharam aos olhos dos homens que tinham ao redor. Então um deles, um jovem rapaz trabalhador da central, sem família, chamado Boris Baranov, se levantou e disse aquela outra frase que quase sempre segue a anterior:
- Eu irei com vocês.
No meio da manhã, os heróis Alexei Ananenko, Valery Bezpalov e Boris Baranov tomaram um gole de vodka para se encorajar, pegaram as caixas de ferramentas e começaram a andar em direção à lava radioativa em que se convertera o reator número 4 do complexo eletro nuclear de Chernobyl. Assim, sem mais.
Perante os olhos encolhidos dos que ficaram para trás, os três camaradas caminharam os mil e duzentos metros que havia até o nível -0,5, dizem que, conversando calmamente entre si: “Como vai? Quanto tempo sem ver você! E seus filhos? Você eu não conhecia, rapaz. … É que eu não sou daqui. Bem, parece que hoje vamos trabalhar um pouco juntos… Podemos descer melhor por aí, eu vou na válvula da direita e você a da esquerda, e você nos ilumina desde lá. … Parece que vai chover, não? Está boa a secretária do engenheiro Kornilov, hem? Sim, e que rebolado! … Parece que este ano os Dínamos de Moscou não vão ganhar o campeonato”. Essas coisas, que possivelmente falam os bio-robôs, enquanto vêem como a sua pele se escurece lentamente, e somem um pouco suas idéias pela ionização dos neurônios e sentem na boca cada vez mais o sabor de urânio causando náuseas, sacudindo-se incomodamente, porque sentem como se milhares de duendes maléficos estivessem dando agulhas na sua pele. Cinco mil roentgens/hora, é como chamam a isso.
E sob aquele céu cinzento e os restos fulgurantes de um reator nuclear, os heróis Alexei Ananemko e Valeriy Bezpalov submergiram-se na piscina de bolhas do nível -0,5, com uma radioatividade tão sólida que se podia sentir, enquanto o seu camarada Boris Baranov lhes segurava a lâmpada subaquática, que aliás, estava com defeito e falhou pouco depois. Do exterior, já ninguém os ouvia nem os via.
De repente, as eclusas começaram a abrir-se, e um milhão de metros cúbicos de água radioativa começou a jorrar para a o reservatório seguro, preparado para tal efeito. Eles haviam conseguido! Alguém murmurou que os heróis Ananenko, Bezpalov e Baranov acabavam de salvar a Europa. É difícil determinar até que ponto isso era verdade.
Há versões contraditórias sobre o que aconteceu depois. A mais tradicional diz que jamais regressaram, e que ainda estão sepultados lá. A mais provável assegura que conseguiram sair da piscina e celebrar a sua vitória rindo e abraçando-se aos mesmíssimos pés do monstro, na borda da piscina; outra diz que até recuperaram os seus corpos, embora não as suas vidas. Morreram pouco depois, de síndrome de radioatividade extrema, nos hospitais de Kiev e Moscou. Ainda outra versão, que parece quase impossível, sugere que Ananenko e Bezpalov morreram, mas que Baranov conseguiu sobreviver e anda ou andou um tempo por aí.
Esta é a história de Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov, os três super-herois de Chernobyl, de quem se diz que salvaram a Europa ou ao menos um ou outro milhão de pessoas a milhares de quilômetros ao redor, num frio dia de abril. Foram à morte conscientemente, deliberadamente, por responsabilidade e humanidade e sentimento da honra, para que os demais pudéssemos viver. Quando alguém pensar que nosso gênero humano não tem salvação, sempre pode lembrar de homens como estes e outras centenas ou milhares desse estilo que também estiveram lá. Não circulam fotos deles, nem fizeram superproduções de Hollywood sobre eles, e até os seus nomes são difíceis de encontrar. Porém hoje, vinte e quatro anos depois, eu brindo à sua lembrança, faço uma continência perante a sua memória e agradeço mil vezes. Por terem ido.

                                                      MEMORIAL


3 de dez. de 2011

RUDOLF STEINER




Embora este grande ser humano seja lembrado por todo seu trabalho na área educacional,sua contribuição atingiu as artes,pedagogia,farmacologia,assuntos agrícolas e muitos outros.
Membro da Sociedade Teosófica e posteriormente fundador da Antroposofia,seu maior legado foram os ensinamentos que experimentou como ser humano fluente,em consciência,dos mundos físico e astral.Toda esta vivência nos foi repassada com um caráter muito científico mas também com simplicidade e amor ao próximo.Era seu desejo maior ajudar aos humanos entender melhor o mundo que nos cerca e interpenetra...lutou gentilmente por nosso despertar!



Mundo e Consciência Animal
palestra em 1909

" Os animais não possuem um eu,tal como o homem o possui.Tal eu só existe no homem de hoje,na Terra.Esses eus humanos são de tal natureza que cada homem tem um eu encerrado em si.No caso dos animais é diferente:os animais tem um eu grupal,uma alma grupal.Oque significa isto?Um grupo de animais da mesma espécie e de configuração idêntica tem um eu comum;por exemplo,todos os leões individuais tem um eu conjunto,bem como todos os tigres.
Os animais têm seu eu no mundo astral.É como se um homem estivesse atrás de uma parede com dez orifícios e,através destes,enfiasse seus dez dedos.Não seria possível ver o homem,mas qualquer cabeça sensata concluiria:aí atrás há um poder central que pertence aos dez dedos.Assim ocorre com o eu grupal.Os animais individuais são apenas os membros.
Aquilo a que pertencem está no mundo astral.Esses eus animais não são semelhantes aos humanos,embora considerados espiritualmente permitam-se comparar bem,pois um eu grupal animal é uma entidade muito,muito sábia.O homem,como alma individual,está longe de ser tão sábio.Consideremos,por exemplo,determinadas espécies de pássaros:que sabedoria deve estar aí contida,para que eles migrem para altitudes e direções bem determinadas a fim de escapar do inverno e,na primavera,retornem por outros caminhos!Nesse vôo de pássaros reconhecemos forças de atuação sábias,dos eus grupais.Podemos encontrá-las em toda parte,no reino animal.
Os homens são muito mesquinhos quando têm de registrar os progressos humanos.Recordemo-nos de nossas aulas na escola,quando aprendemos como,na Idade Média,pouco a pouco surgiu a corrente da época moderna.A Idade Média,seguramente tem coisas significativas a registrar,como o descobrimento da América,a invenção da pólvora,a arte de imprimir livros e finalmente,também o papel de linho.Foi,sem dúvida,um progresso significativo usar este produto em lugar do pergaminho;entretanto,a alma grupal das vespas já havia feito o mesmo há milhares de anos,pois o vespeiro é feito precisamente do mesmo material que o papel produzido pelo homem:compõe-se de papel.
Só gradualmente o homem vai descobrir como certas combinações de seu espírito se relacionam com aquilo que as almas grupais elaboraram dentro do mundo."


Fragmentação e Queda do Homem
palestra em 1909

" Hoje,quando o homem dorme,permanecem no leito o corpo físico e o corpo etérico.O corpo astral e o eu se retiram.A consciência se apaga.Tudo se torna escuro,negro,mudo.Na época atlântica,a diferença entre sono e vigília ainda não era tão grande.Em estado de vigília o homem ainda não via contornos tão firmes,perfis tão nítidos,cores tão intensas,ligados às coisas.
Quando acordava pela manhã,mergulhava como que em uma massa nebulosa.Não havia nitidez maior do que quando,por exemplo,vemos luzes passando através da neblina,com uma aura.Em compensação,sua consciência não cessava completamente durante o sono,e então ele via as coisas espirituais.
À medida que o homem progredia o mundo físico ganhava sempre mais seus contornos,mas em compensação o homem perdeu sua clarividência.Então a diferença passou a ser cada vez maior:em cima,o mundo espiritual tornou-se cada vez mais obscuro;embaixo,o mundo físico ficou cada vez mais claro.
É do tempo que homem ainda percebia as coisas lá em cima,no mundo astral,que derivam todos os mitos e lendas.Ascendendo ao mundo espiritual ele conhecera Wotan,Baldur,Thor,Loki e entidades que ainda não haviam descido ao plano físico.
Isto se vivenciava no passado;e todos os mitos são recordações de realidades reais"





20 de nov. de 2011

WILHELM REICH


WILHELM REICH

"Wilhelm Reich é um personagem controvertido devido à amplitude e ao alcance de suas idéias,e ao impacto das mesmas em nossa época.Sua filosofia fez deslocar o pêndulo,do mecanicismo da abordagem científica para a identidade funcional do homem com a natureza e o cosmos.
Numa escala evolutiva,durante os estágios primitivos de seu desenvolvimento,o homem tentou compreender seu meio ambiente,dentro e fora de si mesmo,através de suas emoções e sensações corporais,mas seu nível de consciência era limitado.Na época de Jesus,quando predominavam o caos e a destruição em meio a um mundo de elementos estritamente físicos,a importância da mente foi apontada para que se fizesse luz sobre o caminho do desenvolvimento pessoal.A chama inicial do autoconhecimento foi seguida,no entanto,por muitos séculos de penumbra.Durante a renascença,porém,o homem viu-se novamente tentando afastar-se da confusão de suas emoções,sentimentos e sensações,da escuridão,do misticismo e do sobrenatural.Passo a passo a idade da razão e a revolução industrial foram se instalando e conferindo um poder supremo à mente.Mas este processo divorciou o homem de sua própria natureza física,distanciou-o de seus sentimentos:o pêndulo havia oscilado de volta para o lado oposto.
O trabalho de Reich faz o ser humano retornar à sua natureza física e retomar a importância que a mesma tem em sua vida e desenvolvimento.Numa era como a nossa,em que o conhecimento científico é supremo e em que as funções do homem são progressivamente compartimentalizadas pelo conhecimento preciso e detalhado da ciência,e pela complexidade da circunstância ambiental,o trabalho de Reich inverte o sentido do processo de desmembramento e devolve ao homem a unidade de sua natureza.A humanidade resiste a isto porque todos nós tentamos desesperadamente fugir à dor da verdadeira e concreta experiência que passa por nossas emoções e corpo.Temos receio de perceber nossa negatividade,por medo de perdermos o controle sobre ela.Remetemo-la ao inconsciente e,desse modo,atuamos movidos por ela,indiretamente,de modo destrutivo,intelectualizando os elementos básicos da vida.
Reich reconheceu que os aspectos negativos do homem,expressos na distorção de seu corpo e de sua mente(seu conceito de estrutura de caráter),impedem-nos de experimentar o fluxo de vida dentro e fora de si,detendo dessa maneira seu desenvolvimento.A filosofia de vida de Reich é positiva,contrariamente à negatividade básica de nossa cultura,com seu ceticismo baseado na atitude científica de um conhecimento objetivo e detalhado que,até o momento,não conseguiu unificar os mundos interior e exterior do homem."

"O trabalho de Reich abrange a profundeza do universo,alcança os extremos do microcosmos e do macrocosmos.Também contribuiu significativamente para muitos campos do conhecimento,como a psicologia,sociologia,medicina,biologia,patologia,a agricultura e a meteorologia.Nossa civilização produziu poucas pessoas que,por meio de seu entendimento dos processos vitais,tenham se tornado navegadores da vida.Reich navegou pela humanidade até as profundezas de sua existência biológica.
Entretanto,muita dificuldades responsáveis por uma postura de inaceitação de seu trabalho,afora a resistência natural do homem diante das posturas revolucionárias,podem ser associadas à natureza de sua personalidade.Segundo muitos de seus colaboradores,Reich era muito humano,natural e infantil.Era um cientista natural.Todos os seus dados eram relatados mas sempre houve de sua parte um sentimento constante de urgência a respeito de seu trabalho ser aceito e comunicado a pessoas importantes.Diante de situações adversas reagia com tristeza,mágoa e tinha a sensação de ser um gênio incompreendido.Quando tratava com outras pessoas,às vezes agia como se fosse diferente,superior e assim distanciava pessoas importantes que estavam interessadas em seu trabalho.
Tinha uma profunda sensação cósmica,mas ao meu ver,não conseguiu efetuar as conexões finais com o conceito de alma,como o fez Jung.Jamais aceitou a verdadeira espiritualidade em seus trabalhos publicados"

"Aprofundemo-nos um pouco mais traçando algumas ligações históricas,tendo em vista seu passado e seu ambiente cultural nos anos de sua formação.Por volta do final do século XIX houve uma violenta reação contrária aos conceitos de energia que estavam sendo propostos na Europa Continental com os trabalhos de Mesmer,Reichenbach e outros.Na Inglaterra,essas pesquisas haviam sido conduzidas em conexão com fenômenos espiritualistas,que cientistas importantes como o professor William Gregory,Sir William Crookes e Sir Oliver Lodge tinham se proposto a investigar seriamente.Já no continente,assumiu a forma de experiências com a hipnose.
Lembremo-nos de que Freud descobrira as forças do inconsciente e que havia trabalhado na clínica de Liébault em Nantes,com fenômenos hipnóticos,estados de transe e,subsequentemente,com Breuer,pesquisando os fenômenos energéticos da histeria.Embora Freud tenha desenvolvido o conceito de libido como um conceito energético real,rejeitou posteriormente tanto o aspecto energético da libido quanto a espiritualidade,que compunha o cerne do trabalho de Jung.
Na época em que Reich estava se formando,dava-se muita ênfase à importância da mente e do inconsciente,como corolário do trabalho de Freud.A espiritualidade contemporânea na Áustria e Alemanha estava representada por um espiritismo de baixo nível,considerado apenas um pouco acima da superstição.Diante da condenação do trabalho de Mesmer e seguidores,e das pesquisas dos espiritualistas britânicos,Reich não enxergou o outro lado da verdadeira espiritualidade.A impressão é que ele deve ter tido um problema sério nessa esfera,que ele nunca elaborou.Chamou-o de misticismo e explicou-o como cisão na unidade de estrutura.Incorreu no erro comum de rejeitar toda a espiritualidade em virtude dos excessos e do charlatanismo,aos quais,com demasiada frequência,termina se prestando.Em vários de seus últimos livros,idealizava sua auto-imagem e apresentava-se como salvador do mundo,como um grande messias dos tempos modernos.A energia orgônica tornou-se sinônimo de Deus,força suprema que explicava todos os fenômenos da vida."

"Olhando essa fantástica era por um ângulo em perspectiva,constatamos que diante da descoberta do inconsciente,precisa ser assinalado que: enquanto Freud trabalhou essencialmente com a mente do homem,Jung concentrou-se no relacionamento entre homem e sua alma enquanto entidade,e Reich focalizou as expressões biológicas e físicas do homem em suas relações com a totalidade do ser.Os três homens representam os três aspectos do Homem:
corpo,mente e espírito!"


John C.Pierrakos (psiquiatra grego,médico e diretor do Instituto de Análise Bioenergética)
Trecho extraído do livro: Orgônio,Reich &Eros de Edward Mann