Do site:
Carl
Sagan sobre visitas extraterrestres
Publicado em 13 de novembro de 2007
“Se nós mesmos estamos explorando nosso sistema
solar, se somos capazes, como somos, de enviar nossas próprias espaçonaves não
apenas a outros planetas em nosso sistema solar como além de nosso sistema
solar, para as estrelas, então seguramente outras civilizações, caso
existam, milhares ou milhões de anos mais avançadas que nós, devem ser
capazes de alcançar a viagem espacial interestelar muito mais facilmente.
E em nenhum momento nego tal como uma
possibilidade. Eu enfatizaria que a economia de esforço é muito maior para
a comunicação por rádio que através da comunicação direta por
espaçonaves interestelares. Eu argumentaria que você pode transmitir sinais a
milhões ou bilhões de mundos simultaneamente, rapidamente, de forma barata, de
uma forma que seria mesmo a uma civilização muito avançada muito mais
difícil e oneroso fazer através de espaçonaves interestelares.
Contudo, eu certamente não excluiria a
possibilidade de que a Terra está sendo ou já foi visitada. Mas
precisamente porque tanto está em jogo, precisamente porque esta é uma questão
que engloba emoções poderosas, nós devemos neste caso exigir apenas os mais
escrupulosos padrões de evidência“. — de “The Varieties of Scientific
Experience”.
Comentários
Nélson K. disse:
Bom dia,
Queria fazer uma colocação, será que Sagan sabia do
que falava em termos de Ondas de Rádio ?
Sabemos faz muito tempo através de Einstein e mais
recentemente de Brian Greene (O Universo Elegante) que uma Nave pode, em
teoria, dobrar o espaço-tempo e assim cruzar enormes distâncias no espaço-tempo
bastando para isso encontrar uma forma de estabilizar o “buraco de minhoca”.
Porém, será que “ondas de rádio” tenham essa mesma
propriedade ? Por que até onde sei (e não sei tanto, mas sei um pouco) ondas de
rádio demoram milhares de anos para irem de uma estrela até a outra, pois vão
da maneira convencional, ou seja, do ponta “a” ao ponto “b”, sem usar a técnica
da “dobra”.
Por isso, talvez Sagan tenha falado algo sem muito
sentido… alguém tem alguma luz para por nesse assunto ?
Talvez seja sim mais fácil virem as naves que as
ondas de rádio…
Um bom dia a todos,
Nélson,
Felipe Machado disse:
Sempre admirei Sagan por ser um cético (?)
moderado, um homem de visão, mas parece que nesse caso infelizmente ele pisou
um pouco (ou muito) no campo da especulação.
Até onde sabemos, é mesmo mais fácil as naves
chegarem antes das ondas de rádio.
Naves podem utilizar de “buracos de minhoca” para
dobrar o espaço-tempo e ir de uma galáxia a outra em segundos (parece doideria,
mas foi Einstein que começou com isso).
Já ondas não. E, se existem ondas capazes de viajar
em velocidades superiores a essas, não as conhecemos e não podemos as utilizar,
infelizmente.
Sagan errou, mas ainda o admiro por ter sido um
homem de ciência moderado, nem cético, nem místico, apenas exigente.
Obrigado por este espaço maravilhoso, espero pela
aprovação.
Carlos Magno disse:
Que fazer quando há centenas de depoimentos de que
as naves espaciais estão rondando o planeta nos mais variados tipos, há vídeos
à respeito, e os céticos estão se apegando aos casos de farsas para tornar
exceções em regras?
Que fazer quando há vídeos mostrando entrevistas
com homens reconhecidamente íntegros, que tiveram experiências com
extra-terrestres, e um desses vídeos faz abordagem de um militar americano que
em missão oficial lutou contra grays ou reptilianos, teve partes do corpo
mutiladas por raios e que por isso teve cancer, e a mídia controladora busca
ignorar? Por que, por exemplo, não dar dimensão mundial a esse caso e estudá-lo
como merece?
Será que milhares de pessoas dos mais longínquos
lugares do planeta estarão todos tendo, de repente, alucinações coletivas?
Rodrigo Estanislau disse:
Sr. Mori
Uma situação curiosa aqui podemos ver, sem dúvida.
A mesma rigidez científica que o sr. prega contra revistas, publicações, em
grupos de discussão, etc, está sendo agora aplicado em sua própria “casa” por
outras pessoas.
Curiosamente, alguns anos atrás, este sítio tinha
apenas comentários do tipo “sei-lá, essa sereia aí não tá com nada”, ou “q
esqueleto gigante, issu eh brinkedinho”, hoje o sr. atraiu pessoas com aparente
conhecimento para refutar uma boa parte de seus artigos. Vejo nos últimos
comentários que os comentaristas muitas vezes superam o autor em muito em
termos de conhecimento.
Mas isso é ruim ? Claro que não. É ótimo.
Vejo este exemplo de Sagan… eu mesmo não imaginaria
ele falando tamanha balela – dizer que ondas de rádio seria mais prático na
comunicação que naves espaciais – seria melhor ele ter tido que seria mais
desejável… cientificamente não tá com nada essa afirmação dele. Acho que
antigamente não apareceria ninguém refutando o artigo, oxalá alguém com coragem
para refutar Sagan, o mestre :-)
Bom, escrevi com muita boa vontade, espero a
aprovação e vejo isso tudo como algo muito bom.
Mori (ceticismo
aberto)disse:
Caros,
“Dobrar o espaço-tempo” é apenas uma idéia, e de
fato, não é nem mesmo _teoricamente_ viável!
Mesmo buracos de minhoca são uma possibilidade
teoricamente incerta. Possibilidade, aliás, impulsionada pelo próprio Sagan, que
sugeriu ao físico Kip Thorne que elaborasse a idéia para o romance “Contato”.
Ainda que estas possibilidades fossem confirmadas
teoricamente de forma segura, criá-las de forma prática envolveria gastos de
energia gigantescos — maiores do que toda a energia que jamais utilizamos até o
momento.
Enquanto isso, através de ondas de rádio, nós
mesmos já atingimos sistemas estelares a dezenas de anos-luz de distância. E
mesmo sem dedicar esforço para tal: fazemos isso inadvertidamente, a custo
zero!
É a isso que Sagan se referia. Embora comunicações
por rádio de fato estejam limitadas à velocidade da luz, são muito pouco dispendiosas,
e mesmo uma civilização avançada consideraria a opção como uma alternativa
custo-benefício muito vantajosa.
Lembrando, mais uma vez, que até o momento nossa
ciência não permite sequer _teoricamente_ que algo viaje mais rapidamente que a
luz. Tudo o que se lê a respeito é ficção ou, na melhora das hipóteses,
especulação científica.
Sagan não era infalível. Na primeira Guerra do
Golfo, no início dos anos 90, por exemplo, previu que a queima dos poços de
petróleo por Saddam Hussein provocaria grandes mudanças no clima da região.
Essa previsão, como se sabe, provou-se incorreta — a fumaça teve pouco impacto
climático.
Mas estava certo em muitos outros pontos, e o
argumento que sugere aqui é um deles.
Cordiais abraços e agradecimentos pela leitura e
comentários!
Felipe Machado disse:
Boa Noite,
Imagine a seguinte situação: uma civilização BEM
próxima da nossa, digamos 10 milhões de anos luz, o que é bem perto no espaço
sideral, resolve mandar mensagens pra nós.
Eles precisariam:
1. Acertar que estariamos aqui 10 milhões de anos depois
para receber as ondas, e aptos para tal.
2. As ondas teriam que não sofrer interferências. O
espaço está cheio de meteoros, planetas, luas, nebulosas. Se as ondas batessem
ou passassem perto de astros com gravidade seriam distorcidas.
3. As ondas teriam que ser enviadas por um longo
tempo para garantir que ao menos uma parte chegaria intacta.
4. As ondas teriam que ser mandadas por um período
gigantesco para garantir que a espécie que povoa a Terra (nós) estariamos aptos
a receber, por exemplo… uns 100 milhões de anos ? Só os dinossauros foram
extintos há 65 milhões de anos. Mas vamos ser otimistas, eles acertaram na
primeira tentativa, e recebemos o sinal que eles enviaram 10 milhões de anos
atrás direto…
5… então eles teriam que esperar mais 10 milhões de
anos para ouvir nossa resposta: total super otimista = 20 milhões de anos.
Isso considerando: uma civilização muito próxima,
ondas enviadas e recebidas intactas, civilizações desenvolvidas no tempo certo
e na época certa (10 milhões de anos atrás no planeta origem, e agora aqui na
Terra, exatamente), sem necessidade de milhões de anos de tentativa “esperando”
uma espécie evoluir…
Acho que esperar um contato via rádio é possível,
mas seria mesmo um acaso, poderia até ser uma tentativa de algum outro povo
tentando se comunicar, em alguma época possivelmente muito remota (milhões de
anos… talvez bilhões…). Fragmentos de mensagens, talvez. Seria talvez até
romântico e triste…
Comunicação direta via rádio é ficção até onde
sabemos. Mais ficção do que a dobra espaço-tempo. Cada vez mais físicos de
renome consideram viável em teoria (Einstein e Brian Greene são apenas 2
exemplos), mas todos sabem que isso só depois de muito tempo e pesquisa.
Obrigado,


























