e muito apropriada para os estudantes da espiritualidade científica
O que nós consideramos ter sido o ‘big bang’, físicos do Perimeter Institute conjecturam que poderia ter sido uma ‘miragem’
tridimensional de uma estrela entrando em colapso, num universo profundamente
diferente do nosso. A compreensão convencional diz que o ‘big bang‘ começou com
uma singularidade – um fenômeno de espaço/tempo inimaginavelmente quente e
denso, onde os padrões das leis de físicas são quebrados. Singularidades são
bizarras e a nossa compreensão delas é limitada.
O nosso Universo pode ter emergido de um buraco negro, num
universo dimensional mais alto, propôs o trio de pesquisadores do Perimeter Institute, na história de capa da última edição do Scientific American. “O
grande desafio da cosmologia é o de compreender o próprio ‘big bang’, escreveu
Niayesh Afshordi, membro do corpo docente.
O ‘big bang‘ apresenta uma grande questão: se ele foi
realmente um cataclismo que colocou o Universo em existência há 13.7 bilhões de
anos, então o que o causou?
Os três pesquisadores do Instituto têm uma nova ideia
sobre o que poderia ter vindo antes do ‘big bang‘. É um pouco perplexo, mas é
baseado em matemática sólida, ‘testável’ e sedutora o suficiente para ser a
história da capa do Scientific American, chamada de “The Black Hole at the
Beginning of Time“, ou “O Buraco Negro no Começo do Tempo“.
“Todos os físicos sabem que dragões saíram voando para fora
da singularidade“, disse Afshordi numa entrevista para a Nature.
O problema, como vêem os autores, é que a hipótese do ‘big bang‘
mostra o nosso relativamente compreensível, uniforme e previsível Universo
saindo da insanidade destruidora da física, que é uma singularidade. Parece
improvável. Assim, talvez algo mais ocorreu. Talvez o nosso Universo nunca foi
singular, para começar.
A sugestão deles: nosso Universo conhecido poderia ser um
“embrulho” tridimensional ao redor de horizonte de eventos de um buraco negro
de quatro dimensões. Neste cenário, o nosso Universo surgiu de uma explosão
quando uma estrela num universo quadridimensional entrou em colapso e se tornou
um buraco negro.
Em nosso Universo tridimensional, buracos negros possuem
horizonte de eventos bidimensionais – isto é, eles são cercados de uma
fronteira bidimensional que marca o ‘ponto sem retorno’. No caso de um universo
quadridimensional, um buraco negro teria um horizonte de eventos
tridimensional.
No cenário proposto por eles, o nosso Universo nunca esteve
dentro de uma singularidade; ao invés disso, ele veio a existir fora de um
horizonte de eventos, protegido da singularidade. Ele originou como – e assim
permanece – somente uma característica nos destroços implodidos de uma estrela
quadridimensional.
Os pesquisadores enfatizam que esta ideia, embora pareça
‘absurda’, é baseada firmemente na melhor matemática moderna descrevendo tempo
e espaço. Especificamente, eles usaram as ferramentas de holografia para
“tornar o ‘big bang’ numa miragem cósmica“. Ao longo do caminho, seu modelo
parece endereçar os quebra-cabeças cosmológicos conosco há muito tempo e,
crucialmente, produzem previsões possíveis de serem testadas.
É claro, nossa intuição tende a nos fazer evitar a ideia de
que tudo e todos que conhecemos emergiu de um horizonte de eventos, de um único
buraco negro com quatro dimensões. Não temos nenhum conceito do que um universo
quadridimensional possa se parecer. Não sabemos nem como um universo
quadridimensional ‘genitor’ veio a existir.
Mas em nossas falíveis instituições humanas, os
pesquisadores argumentam, evoluídos dentro de um mundo tridimensional que pode
somente revelar sombras de uma realidade.
Eles traçam um paralelo sobre a ‘alegoria da caverna de
Platão‘, na qual prisioneiros passam suas vidas vendo somente as sombras
‘piscantes’ projetadas pelo fogo na parede da caverna.
“Suas correntes os têm bloqueado de perceber o mundo
verdadeiro, um reino com uma dimensão adicional“, eles escrevem. “Os
prisioneiros de Platão não entenderam as forças por detrás do Sol, bem como não
compreendemos a universo quadridimensional. Mas pelo menos, eles sabiam onde
procurar por respostas“.
AUGUST 10/ 2014